Agroecologia na escola pública: a relação entre alimentação orgânica e o ensino de ciências
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Resumo
Este trabalho tem como objetivo analisar a presença de conteúdos relacionados à
agroecologia e à alimentação no currículo de Ciências do estado de São Paulo, problematizando as concepções de ciência que emergem nesse contexto. Justifica-se pela necessidade de refletir sobre a formação científica escolar frente aos desafios socioambientais contemporâneos. A pesquisa fundamenta-se em uma abordagem qualitativa de matriz crítica, a partir de uma análise documental do Currículo Paulista, articulada ao referencial da Pedagogia Histórico-Crítica (PHC). Os resultados evidenciam a ausência de conceitos específicos como agroecologia, educação ambiental, ecologia política e meio ambiente na estrutura curricular, revelando uma organização incipiente dos conteúdos relacionados à alimentação e às questões socioambientais. Tal lacuna reforça a predominância de uma concepção de ciência pouco articulada a saberes socialmente referenciados. Conclui-se que a agroecologia, compreendida como ciência, prática e movimento social, apresenta potencial para contribuir com uma reconfiguração curricular do ensino de Ciências, considerando uma formação crítica, emancipatória e comprometida com a sustentabilidade, a justiça socioambiental e a segurança e soberania alimentar. O estudo aponta a necessidade de uma proposta de organização e sequenciamento de conteúdos que integre criticamente o ensino de Ciências e a agroecologia na educação pública.
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