VEGETARIANISMO: PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO, MOTIVAÇÃO E COMPOSIÇÃO CORPORAL DE VEGETARIANOS ATENDIDOS EM AMBULATÓRIO DE NUTRIÇÃO

Conteúdo do artigo principal

Jennefer Braga Smith
Heloisa Guerra Basso
Maria Luísa Bento Antunes
Lucas Garcia Piato
Thabata Koester Weber
Renata Maria Galvão de Campos Cintra

Resumo

Esta é a uma pesquisa observacional, com o objetivo de descrever variáveis sociodemográficas, identificar as motivações e avaliar a composição corpórea de vegetarianos estritos e não estritos. Atualmente há um crescente número de pessoas que buscam adotar esse tipo de dieta, o que torna relevante conhecer o perfil dessa população para orientações adequadas considerando que existem benefícios e também riscos nutricionais. Foram avaliados pacientes atendidos em ambulatório de nutrição; sendo informações sociodemográficas, sobre as motivações para dieta vegetariana e a prática de exercício físico obtidas por meio de entrevista nestes atendimentos. Medidas corporais também foram obtidas e avaliadas a partir do Índice de Massa Corporal (IMC), da Circunferência Abdominal (CA) da Circunferência Muscular do Braço (CMB) e da porcentagem de Gordura Corporal (%GC). Dados foram descritos para os pacientes em geral e comparou-se dados de vegetarianos estritos (VegE) e ovolactovegetarianos e semivegetarianos(OLSVeg), por meio do teste de qui quadrado para comparação das proporções e do teste T, para médias, considerando 5% como diferenças significantes entre os grupos. A idade média foi de 22,74±7,84 (n=23); maioria do sexo feminino (82,6%); com ensino superior incompleto (82,7%); e quanto aos tipos de dieta, 74% OLSVeg e 26% VegE. Como principal motivação para dieta vegetariana, a causa do “bem-estar animal” foi predominante para os VegE comparando-os aos OLSVeg (100% x 58,8), e “saúde” foi citada apenas pelos OLSVeg (35,3%). A média do IMC foi 22,7±3,1 Kg/m², sendo a maioria eutrófica (69,6%), e 26,1% em excesso de peso (17,4% OLSVeg e 8,7% VegE). A frequência relativa em risco de adiposidade central, segundo a CA, foi de 34,8%. Não foram observadas diferenças entre VegE e OLSVeg. A CMB e %GC apresentaram resultados adequados para maioria dos vegetarianos, no entanto observou-se como média da CMB 21,4±2,4cm e 18,84±3,7cm (p=0,16) e da GC 28,36 ±7,0% x 31,1 ±5,2% (p=0,3) para os grupos respectivamente. Entre os vegetarianos, os OLSVeg houve maior frequência de CMB acima percentil 5 (p=0,05). Tais dados poderiam estar relacionados a motivação “saúde”, que foi maior entre os OLSVeg. Os vegetarianos são caracterizados como população jovem e de alta escolaridade, no entanto, o ambiente universitário do ambulatório onde o estudo foi realizado provavelmente contribuiu com este perfil. Embora o IMC e adiposidade central indique compatibilidade com saúde, os VegE apresentam composição corporal preocupante, com menor massa magra em relação aos não estritos (OLSVeg), o quepode mascarar IMC adequado e merece atenção para o cuidado adequado e orientações ao vegetariano. Maior número de observações, considerando os diferentes tipos de dietas vegetarianas, deverão dar continuidade a este estudo visando adequada assistência nutricional a pessoas vegetarianas, considerando os benefícios bem como os cuidados exigidos na restrição parcial ou total de alimentos de origem animal.  

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Vegetarianismo

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